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CALL ME HELIUM

Rio de Janeiro | Nova York | Rio de Janeiro > 1974 | 2014

Em março de 1974, recém-chegados de volta ao Rio de Janeiro depois de uma longa temporada nos EUA, onde convivemos e colaboramos com Hélio Oiticica em Nova York, começamos a pensar em trabalhos artísticos, alguns dos quais se concretizaram em filmes e fotografias, outros na forma de projetos e proposições. Mantínhamos contato constante com nosso querido amigo principalmente por meio de cartas.

Hélio sempre valorizou e incentivou pessoas próximas para colaborar em suas obras, configurando uma invenção artística coletiva e colaborativa, muito antes dessa prática tornar-se hoje corriqueira. Seu período em Nova York, de 1970 a 1978, foi marcante nesse sentido, pois ali, nos ambientes de criação e moradia por ele denominados de Loft 4 e Hendrixsts, idealizou projetos, propostas e proposições que, necessariamente, só se realizariam com a participação de outras pessoas. Entre muitas outras, incluem-se: as COSMOCOCAS 1 a 9 (1973), com Neville de Almeida, Thomas Valentin, Guy Brett e Carlos Vergara; Penetrável PN 17 STONIA (1974), com Andreas Valentin; e KLEEMANIA (1979, já de volta ao Rio de Janeiro), com vários artistas.

CALL ME HELIUM se insere nesse repertório. Foi elaborada em 1974, a partir de nossa leitura de um balão meteorológico anunciado para compra no jornal New York Times e pensando numa frase de Jimi Hendrix citada por Hélio em texto enviado para Waly Salomão. Através de uma extensa troca de cartas, algumas das quais estão aqui reproduzidas, a obra foi tomando forma até se concretizar no içamento do balão preenchido com gás hélio – mais leve do que o ar – na praia de Ipanema numa tarde de domingo. Haveria ainda uma performance/play de Romero, amigo e companheiro de Hélio, envolvendo a participação de diversos artistas, entre os quais Lygia Pape, Antônio Manuel, Silviano Santiago, Carlos Vergara, Neville de Almeida, Antônio Dias, Augusto e Haroldo de Campos.

Por motivos diversos, àquela época não pôde ser realizada. Quarenta anos depois, é resgatada, reconfigura-se e se ressignifica. Na obra de nosso amigo e parceiro Hélio Oiticica importa refletir criticamente sobre sua dimensão colaborativa.

Aqui, além de sua realização, agora com a performance do artista e poeta Jorge Salomão, são exibidos e reproduzidos fotografias, filmes, cartas, anotações e outros documentos que possibilitam uma compreensão mais ampla e clara do processo de sua elaboração e realização colaborativa e participativa.

Depois de flutuar na praia de Ipanema, o balão vermelho é transposto para os espaços do Centro Cultural Correios no Centro do Rio de Janeiro e, enquanto a obra em si dissolve-se no tempo e no espaço, permanece a celebração da leveza em tempos ainda – e de novo – pesados.

Andreas e Thomas Valentin
Rio de Janeiro, maio/2014